A MENINA DA JANELA
Difícil saber o que ela pensa. Fácil imaginar o que ela pensa. Ou não?
Será que ela pensa em se soltar ou se imagina voando livremente para onde quiser?
Quantas vezes a gente quer ser como as borboletas? Não sei se há outra imagem tão forte para simbolizar a liberdade como a das borboletas. Já pensou poder sair pelo mundo afora, numa dança frenética ou equilibrada, mas sem amarras, sem satisfações. Seria um sonho? O ser humano é tão incoerente que talvez ainda tivesse jeito de reclamar. Reclamar que ficaria cansado de tanto bater as asas...
A menina da janela está com um olhar vazio, como vazia deve estar a sua alma. Também deve estar sentindo um pouco de inveja das borboletas, da liberdade que ela, presa na janela, não tem. Talvez o seu olhar pensativo seja até em função do sentimento de inveja. Sempre ouviu dizer que a inveja mata... O que ela não sabe é que o que ela sente não é inveja, mas desejo...
Ora, menina da janela, abra sua janela! Deixe, pelo menos, as borboletas entrarem, já que você, não sairá...

Nenhum comentário:
Postar um comentário